Dia dos Pais
Quantos casos ouvimos de pessoas que querem ter alguma coisa que não é exatamente um bem essencial, às vezes até supérfluo, e não conseguindo acham ser o fim do mundo?
Pois bem, é aí que entra uma passagem de minha vida:
Tinha já uns trinta anos nesta época, e queria de toda a maneira comprar um presente para uma certa pessoa, mas estava sem dinheiro.
Então pedi ao meu pai, pois tudo o que eu queria ele me dava. Já acostumado a isso, quando ele disse não poder naquele dia, pois estava um pouco apertado,fiquei emburrado, com ele mal conversava. Por aí voce pode imaginar o meu grau de maturidade aos trinta anos.
Este comportamento é típico de meninos muito mimados, que têm tudo o querem.
E foi justamente assim que eu fui criado.
Sendo este um dos fatores que 'podem levar a uma dependência química' no futuro.Eximo todos de qualquer culpa, a não ser a minha falta de maturidade.
-Então ele saiu e voltou com um embrulho de presente. Entregou-me e disse ser um presente que havia comprado, fiado, na farmácia de seu Magalhães, um grande amigo dele -amigo dos antigos ’AMIGO’- presente este que era para eu dar para a tal pessoa.
Eu nem abri o presente, e até hoje não sei o que foi feito dele, só sei que não mais vi tal pacote em casa.
Hoje nada tenho, sem ser as lembranças de sua atitude para comigo, e dois filhos, com certeza, presentes dele com Ele.
Se tivesse ouvido , escutado e entendido o que me dizia por palavras sábias , hoje com certeza não estaria passando as necessidades que passo , principalmente para com meus filhos. Mas o ‘se’ não conta e não faz o tempo voltar.
Para quem está lendo estas linhas, espero estar dando uma contribuição valiosa, para que escutem os seus pais, ou aos mais velhos, e avaliem os seus conselhos. Podem não ser de grande utilidade no mento , mas sem dúvida no futuro farão falta.
Hoje arrependido e procurando,agora, seguir as suas palavras, as que ainda lembro, e sem poder pedir desculpas pessoalmente, pois ele está em outra dimensão há dezessete anos, em trinta de Abril de mil novecentos e oitenta e oito.
Hoje no dia dos pais, quem me dera tê-lo ao meu lado, para abraçá-lo, e lhe dar algo. Coisa que não se compra, coisa que não se vende:AMOR! Dentro daquele presente que não abri,QUE NÃO ERA UM SIMPLES PRESENTE MAS UMA LIÇÃO DE HUMILDADE E DE SABER TER O QUE SE PODE TER,DAR O QUE SE PODE DAR, ou mais ainda, dar a ao senhor a minha sobriedade, que sem dúvida seria o maior presente de sua vida, pois quantas vezes chorou por ter um filho alcoólatra.
Por isso Pai, ao senhor, nesse dia de hoje, quatorze de agosto de dois mil e cinco, dedico essa abstinência alcoólica que já perdura a mais de três anos e se Deus quiser, por muitos anos ainda mais.
Espero encontrá-lo, mas só Ele sabe quando, e poder abraçá-lo, pois saudade é uma palavra muito pequena para expressar o meu sentimento.
De toda a maneira me desculpe, e até já.
Parabéns por esse dia, que aliás, foram todos dos dias da minha vida ao seu lado.
Mais do que qualquer um outro, este É O SEU DIA.
Beijos de quem não soube te entender, mas que sempre te amou, seu filho Cássio.
Pelo Autor
segunda-feira, 30 de junho de 2008
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