quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mudança Geográfica - 5º Passo


Um papo


Há alguns anos passados, estava em um restaurante na cidade de Matozinhos, perto de Capim Branco, onde até hoje moro, tomando umas cervejas. Fui para lá à tarde, deveria ser umas cinco e meia , por aí.
Pois tinha, ainda vergonha * de beber durante o dia. Estava numa boa, escutando música ao vivo, todas as quartas-feiras neste local acontecia para atrair a freguesia.
Então vejo entrar um rapaz de Capim Branco com sua esposa. Era o dono da farmácia de Capim Branco, seu nome Rollo. Fiquei quieto, pois ele era um cara sério, e eu achava que ele não ia com a minha cara. Pois para minha surpresa ele me cumprimentou alegre, convidando para me unir a eles.
Fiquei satisfeito, pois eu o considerava como ainda considero uma pessoa proeminente da comunidade capim-branquense.
Contou-me casos de quando ainda eram noivos, andando de motocicleta pela América do Sul, Peru, Bolívia e outros lugares. Fiquei a vontade, pois não era eu somente o que gostava de passear e divertir, sem ter de dar satisfação a ninguém.
Até as três e pouco conversamos animadamente. Mas com o adiantado da hora, ele trabalhava cedo, foi embora e eu fiquei terminado de tomar a cerveja que ainda havia.
Pois bem; outro dia eu fui até sua farmácia comprar um remédio para dor, havia trincado a costela em uma queda. Cai em uma fossa aberta no meio do mato. Se não fosse um eletricista ao qual mostrava uma rede elétrica a ser concertada, talvez estivesse lá até hoje, pois quase ninguém me visita. Devo ser um chato de galocha, com CH e com X.
Começamos a conversar e dele partiram palavras que não esqueço mais nunca.
Ele, como todos que me conheciam, na época das bebedeiras, não davam valor algum para mim. E hoje ,segundo ele sou exemplo a ser seguido.Pela minha força de vontade e persistência. Exemplo para os jovens.
Agradeço, mas complemento; Ele Rollo também é, e sempre será um paradigma a ser seguido, pela sua garra e determinação.
A você e à sua esposa, Rollo meu eterno obrigado pelas lindas palavras, que por sinal me enchem os olhos de lágrima agora.

* Nesta época eu já estava praticando o que em alcoolismo se diz, mudança geográfica, beber em lugares diferentes, para não ser visto como um alcoólatra, como em Capim Branco. Só que eu não sabia ser um dependente químico, álcool.
Uma curiosidade: ele Rollo, mudava geograficamente viajando, e eu enchendo a cara em lugares onde eu era desconhecido.

Que este fato sirva de alerta aos que estão praticando este tipo de alternativa para beberem incógnitas, dos outros, pois de você não há como esconder.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sentir-se Vivo

Sentir-se Vivo


Acordei como todos os dias com o canto dos pássaros-graças a Deus tenho este privilégio. De ter um teto sobre mim,uma janela para abrir quando me sentir sufocado - mas me senti diferente. Senti fazer parte de algo superior ao meu entendimento.
Então depois de rápido intervalo de tempo veio a solução para minha dúvida.
Eu me sentia vivo, não apenas estar vivo.
Saber participar deste universo tão lindo e intrigante.
Poder estar contribuindo, com este texto, para que mais alguém desperte para a vida.
Mesmo que onde more não tenham pássaros para acordá-lo, mas só de saber que eles existem, e poder também algum dia estar despertando com eles, ou com outra coisa que lhe faça feliz.
Procure que encontrarás.
Pois mais do que ninguém sabe quem és.
Mais do que ninguém sabe o que alegra o teu coração.
Só. Só tu sabes a tua verdade!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Quarto Passo


Algumas Atitudes que podemos tomar

A solução ideal seria a “cura do alcoolismo”, mas esta solução depende da motivação do dependente e da família.
Se o dependente não tem esta motivação, a melhor solução para a família seria efetuar algumas modificações nos comportamentos dos familiares, objetivando a interrupção ou pelo menos dificultar, o curso do alcoolismo.
1.Não resolver os problemas do alcoólatra
É importante a família quebrar o sistema de proteção, atribuindo a responsabilidade dos problemas e conseqüências do beber ao próprio alcoólatra.
2.Pensar mais em você
Só podemos ajudar alguém quando estamos bem, caso contrário, como oferecer algo que não temos para dar?
O dependente causa um abalo na vida da família,sendo que às vezes um familiar tende a abandonar algumas de suas atividades. Retome-as, cumpra suas responsabilidades e cuide mais de si mesmo. Quando o alcoólatra passa a perceber que você não está mais seguindo o ritmo dele, ele começa apensar: “o que está acontecendo?”.
3.Adquirir conhecimento
Informe-se : é importante saber alguns conceitos básicos para poder entender e ajudar o alcoólatra. Por exemplo: nos primeiros dias em que o dependente fica sem beber, é comum um hálito alcoólico, que dá a impressão de consumo,o odor do álcool permanece por algum tempo no “bafo” do alcoólico. A família se desespera,fiscaliza ou cobra, fato este que pode levar o alcoólatra a beber. Se os familiares tem este tipo de informação, a atitude muda.
4.Conversar
Evite falar com o dependente apenas assuntos relacionados ao álcool. Enche o saco, quando “toda hora” ficam jogando na nossa cara a dependência. “Viu, isso tudo acontece porque você é um viciado,um alcoólatra!”


Procure mantê-lo interessado e também interessar-se sobre outros aspectos da vida. E, lembre-se: o alcoolismo é
conseqüência e não causa. Porém existem pessoas que chegam a um grau de dependência tão elevado,que mal restam outros aspectos de vida para conversar. Nestes casos procure estimular ou mesmo apontar este “vazio” na vida do
alcoólatra, tentando ajudá-lo a enxergar o que ele pode fazer para modificar seu futuro. Como exemplo, ler um livro no gênero deste. Uma observação que acho ser válida: o alcoólatra ,em geral,perde a concentração,não conseguindo assimilar o que está lendo. Este incentivo à leitura é um método de resgatar o seu poder cognitivo.
5.Recaídas
Prepare-se! Por mais estabilizada que esteja a situação de abstinência, as recaídas são previstas no processo do tratamento. (Este item nos foi passado em terapias de grupo pela Dra.Kátia -Psicóloga,a quem agradeço pelo empenho e dedicação!)
Tenha em mente que o voltar a beber pode ser passageiro, principalmente se forem tomadas as medidas adequadas.
6.Limites
Seja compreensivo e amigo com firmeza, sabendo definir limites e regras,principalmente sobre sua competência e do dependente.
No primeiro momento a reação é de raiva, ódio e explosão! Tente se acalmar e refletir sobre a situação. Não gaste suas energias em falar com uma pessoa intoxicada,bébada. Espere os efeitos passarem para haver um diálogo consciente. Neste diálogo, procure colocar o que você espera e até onde você agüenta (seus próprios limites).
7.Aspecto Social
Com a abstinência, perde-se ou ocorre uma diminuição no convívio social com os amigos do bar. Daí vem as frustrações: falta de amigos e falta de bebida.
Propiciar atividades de lazer ou de convívio familiar para tentar abrandar estas frustrações são importantes.

Atividades físicas acabam sendo as mais comuns , mas também pense em passeios, vídeo, cinema, teatro, leitura, visitas a casa de parentes e amigos, buscar filhos na escola, etc.
Mas o importante é não fugir dos bares, no meu caso, vou a todos,até o meu limite de agüentar “alguns” bêbados falando potoca nos nossos ouvidos e cuspindo no nosso rosto, pois nem todo bêbado fica ‘muito chato’ por algum tempo. Quando eu bebia não suportava gente tonta!
8.EVITE:
Não dar importância ou ignorar os fatos
Expulsar de casa
Julgar o dependente como o único culpado
Policiar intensivamente
9.Procurar ajuda profissional
Não se deixe levar pelo sentimento de fracasso. Os profissionais de saúde existem para ajudar tanto o dependente, como o familiar. Em alguns casos é necessário uma atuação técnica e não apenas familiar.
Será que não é uma exigência muito grande a família acreditar que deve dar conta de tudo sozinha?
9.Procurar Recursos da Comunidade
Existem grupos de Auto-Ajuda (AA e NA), religião e palestra...enfim, tudo que o dependente possa sentir como eficaz para ajudá-lo.
ATENÇÃO: Nem sempre o que é melhor para a família, é melhor para o dependente.
O principal envolvido precisa estar motivado.
Vale ressaltar que estes recursos podem ser utilizados simultaneamente a um tratamento. Não existe um único detentor do saber ou uma forma única de cura. Cada caso é um caso!
Uma boa é visitar os sites:
http://www.alcoolismo.com.br ,
http://www.docassio.blogspot.com, , http://www.cronicasdeumalcoolatra.blogspot.com

sábado, 16 de agosto de 2008

Terceiro Passo - Se preparar para as decepções da vida,para não ter uma recaida.

Quando estava internado na Fazenda Renascer, em Pedro Leopoldo,Minas Gerais, fazendo tratamento de alcoolismo,um dos objetivos ou metas que tracei, para quando obtivesse alta da referida instituição,era a de terminar tudo, que fosse importante para mim. Sendo uma terminar o curso de Engenharia que havia largado em 1992,sendo uma das ,e a mais importante de todas o alcoolismo,que infelizmente me aceitei como alcoólatra tardiamente .Pois bem,voltei para casa e comecei a fazer uns bicos aqui e ali,prestando serviços de manutenção em computadores,desenhos em AutoCad-aqui devo agradecer à PX Bobinadora que por intermédio de eu dono - Paulinho, me deu esta oportunidade. Prestei concurso na Prefeitura de Matozinhos obtendo o primeiro lugar e em Abril de 2003 comecei a trabalhar como Técnico em Informática. Passados quatro anos,em Dezembro de 2007 fiz vestibular na Escola Kennedy de Engenharia e fui admitido no curso de Engenharia Civil,que como já disse, abandonei em 1992,a matrícula foi paga por minha irmã, e para as mensalidades, fui procurar financiamento PROUNI,FIES,não conseguindo.Na escola existe um escritório de cobrança,que e denomina SAE - Serviço de Apoio ao Estudante, só que eles financiam 50%,, sendo os outros cinqüenta em cheques pré-datados. Como não tenho talão de cheques,ofereci minha casa como garantia,ou notas promissórias avalizadas por pessoa idônea. Este pedido foi ser analisado por um Professor ,DAVI, que indeferiu tal pedido.Fiquei desolado,me senti como o último homem do mundo,pois a única chance que teria para aumentar a minha renda que é de R$ 630,00-bruto,fora descontos de pensão que é de 80% do salário mínimo,60% do meu salário bruto. Com empréstimos descontados em folha,me sobra R$54,00 por mês. Mas este ano que entra,2005, a tal pretensa filha-não fiz DNA- completa 24 anos e automaticamente a pensão se extingue,podendo arcar então, com o pagamento da Faculdade. Um sonho que não mais cogito.Só lamento ter neste mundo,tantos professores, diretores de escolas públicas ou privadas,sem nenhum sentimento humanitário. Estou siente que não dá para ajudar a todos, mas no meu caso era só uma questão de tempo.
Agradeço aos dirigentes da referida instituição pelo 'carinho',com que trataram do meu assunto, da minha esperança de uma vida melhor.Da concretização de um sonho,de um objetivo,de um meta a ser atingida.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

O Segundo Passo: Crer em um SER superior, não se trata de Religião e sim de seu Ego,pois ele está com voce,vive com voce. Dentro de VOCE !

CAFEZINHO
Acordei cedo, pois tinha que fazer um concurso em Belo Horizonte para trabalhar na PRODEMGE, órgão do estado e com ótimo salário inicial. Pé na estrada peguei o ônibus para BH, e como havia ido muito cedo fui ver minha mãe, que está doente.
Depois da visita passei na Igreja São José, no centro de BH, e lá acendi uma vela para meu pai, e pedi que me ajudasse a fazer boa prova. Fui então para a Av. Amazonas onde passa o ônibus que me levaria para o local da prova, PUC-MG.
Fiz a prova com certa facilidade, mas não sabendo se havia feito uma boa prova ou não, mas uma ‘sensação estranha de leveza tomou conta de mim’.
Fui para a rodoviária, e como faltava mais de uma hora para a saída do ônibus para Capim Branco, onde moro, resolvi tomar um cafezinho em um bar da rodoviária.
Paguei o café no caixa, e levei a xícara com o pires para um balcão no meio da lanchonete.Pensando na vida, distraindo, a xícara se moveu, olhei para todo o lado e tudo estava parado, nada tremia ou balançava. Tomei um gole do café e
coloquei a xícara no lugar. Outra vez ele se mexeu, mais de um palmo. Peguei a xícara levantei o pires para ver se não estava molhado, conferindo também o balcão. Tudo estava seco. Tomei o resto do café, e fui pegar o ônibus.
Chegando em Capim Branco telefonei para Zulma, minha irmã, que mora no Rio de Janeiro, para lhe contar da prova e do fato acontecido. Para meu espanto, ela me contou que Tânia minha outra irmã, estava a passeio na casa dela havia sido chamada por uma VIDENTE, que nem a conhecia, e lhe disse que meu pai havia lhe dito que tudo o que pode fazer fez por mim, agora só dependeria delas, minhas irmãs me ajudarem.
Voltei várias vezes depois ao mesmo lugar para tomar café, me sentei no mesmo lugar, mais ou menos na mesma hora, mas a xícara não mais se mexeu.
A propósito, passei em 25º lugar no referido concurso.
Cássio
Inverno de 2004

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O primeiro passo: Ter consciência de ser um dependente químico!

Dia dos Pais

Quantos casos ouvimos de pessoas que querem ter alguma coisa que não é exatamente um bem essencial, às vezes até supérfluo, e não conseguindo acham ser o fim do mundo?
Pois bem, é aí que entra uma passagem de minha vida:
Tinha já uns trinta anos nesta época, e queria de toda a maneira comprar um presente para uma certa pessoa, mas estava sem dinheiro.
Então pedi ao meu pai, pois tudo o que eu queria ele me dava. Já acostumado a isso, quando ele disse não poder naquele dia, pois estava um pouco apertado,fiquei emburrado, com ele mal conversava. Por aí voce pode imaginar o meu grau de maturidade aos trinta anos.
Este comportamento é típico de meninos muito mimados, que têm tudo o querem.
E foi justamente assim que eu fui criado.
Sendo este um dos fatores que 'podem levar a uma dependência química' no futuro.Eximo todos de qualquer culpa, a não ser a minha falta de maturidade.
-Então ele saiu e voltou com um embrulho de presente. Entregou-me e disse ser um presente que havia comprado, fiado, na farmácia de seu Magalhães, um grande amigo dele -amigo dos antigos ’AMIGO’- presente este que era para eu dar para a tal pessoa.
Eu nem abri o presente, e até hoje não sei o que foi feito dele, só sei que não mais vi tal pacote em casa.
Hoje nada tenho, sem ser as lembranças de sua atitude para comigo, e dois filhos, com certeza, presentes dele com Ele.
Se tivesse ouvido , escutado e entendido o que me dizia por palavras sábias , hoje com certeza não estaria passando as necessidades que passo , principalmente para com meus filhos. Mas o ‘se’ não conta e não faz o tempo voltar.
Para quem está lendo estas linhas, espero estar dando uma contribuição valiosa, para que escutem os seus pais, ou aos mais velhos, e avaliem os seus conselhos. Podem não ser de grande utilidade no mento , mas sem dúvida no futuro farão falta.
Hoje arrependido e procurando,agora, seguir as suas palavras, as que ainda lembro, e sem poder pedir desculpas pessoalmente, pois ele está em outra dimensão há dezessete anos, em trinta de Abril de mil novecentos e oitenta e oito.
Hoje no dia dos pais, quem me dera tê-lo ao meu lado, para abraçá-lo, e lhe dar algo. Coisa que não se compra, coisa que não se vende:AMOR! Dentro daquele presente que não abri,QUE NÃO ERA UM SIMPLES PRESENTE MAS UMA LIÇÃO DE HUMILDADE E DE SABER TER O QUE SE PODE TER,DAR O QUE SE PODE DAR, ou mais ainda, dar a ao senhor a minha sobriedade, que sem dúvida seria o maior presente de sua vida, pois quantas vezes chorou por ter um filho alcoólatra.
Por isso Pai, ao senhor, nesse dia de hoje, quatorze de agosto de dois mil e cinco, dedico essa abstinência alcoólica que já perdura a mais de três anos e se Deus quiser, por muitos anos ainda mais.
Espero encontrá-lo, mas só Ele sabe quando, e poder abraçá-lo, pois saudade é uma palavra muito pequena para expressar o meu sentimento.
De toda a maneira me desculpe, e até já.
Parabéns por esse dia, que aliás, foram todos dos dias da minha vida ao seu lado.
Mais do que qualquer um outro, este É O SEU DIA.

Beijos de quem não soube te entender, mas que sempre te amou, seu filho Cássio.

Pelo Autor